Este não é um texto feito para entender o twitter, é um texto criado para pessoas que usam o twitter se entenderem.
Você já parou pra pensar como a sua geração será lembrada? Quais serão as suas referencias? Na velhice, quando você olhar pra trás e resolver resgatar em sua memória debilitada, o que você vai lembrar de ter feito na sua juventude?
Tenho certa aversão por textos que começam com vários pontos de interrogação, sobre tudo quando eu estou escrevendo, até porque caberá a mim, autor das perguntas responder aquilo que ingenuamente fora levantado de forma aleatória.
A maioria de nós passa mais tempo na frente do computador do que na presença dos familiares, mas tudo bem, não vamos vilanizar os computadores, afinal se não fossem eles certamente os jovens achariam uma forma alternativa de se distraírem de tudo aquilo que eles julgam monótono e/ou ultrapassado.
Então se cria uma barreira imaginária, um universo paralelo de possibilidades infinitas, resumindo: se cria uma conta no Twitter. É um momento realmente significativo na vida de qualquer internauta, onde ele passará a condicionar as suas idéias em um espaço delimitado em 140 caracteres.
É de uma democracia incrível, esse lance de espaço igualitário, porém nós sabemos que a inteligência para preencher tal espaço não é distribuída da mesma forma. (1 minuto de silêncio pelos tweets descabidos que já li).
Mas nada, NADA chama mais atenção nessa rede social do que a carência generalizada das pessoas; é de uma falta de orgulho próprio declarada que chega a ser preocupante, de tal forma que eu me questiono: mas porque raios motivos elas querem tanto que eu as siga e saiba sobre a suas vidinhas desimportantes?!
Sei lá... Pedir Follower é igual pedir que digam que te amem, você sabe que mesmo que a pessoa o faça não será orgânico, então porque você faz?! POR QUÊ?!
Qual a vantagem de ser seguido e de seguir alguém que você não tem o menor interesse? Status? Platéia? Ou será que no fundo a quantidade de followers é proporcional ao vazio que transcende o mundo virtual?
Então elas se sujeitam a seguir pessoas desconhecidas na esperança que uma ou outra se compadeça e retribua a gentileza, mas o mais incrível é constatar que o único diálogo que essas duas pessoas travaram na sua vida virtual inteira se resume em: “estou seguindo @fulano " que é respondido com um “ @fulano estou seguindo você também”. Pra que isso meus Deus?!?
Estamos deixando de viver em plenitude para relatar o marasmo, o #tédio, descrevendo nossas dores, duvidas e angustias à espera de um Retweet que nos faça sentir menos sós, que nos mostre que não somos os únicos a sentir, achar e viver determinados sentimentos, opiniões e situações.
Estamos deixando de viver em plenitude para relatar o marasmo, o #tédio, descrevendo nossas dores, duvidas e angustias à espera de um Retweet que nos faça sentir menos sós, que nos mostre que não somos os únicos a sentir, achar e viver determinados sentimentos, opiniões e situações.
Não quero parecer hipócrita, sou twitteiro, mas existe uma grande diferença entre usar uma ferramenta e se tornar escravo dela. Li em algum lugar a frase: “você é aquilo que você segue”. Acho que você mesmo pode responder essa: se você segue pessoas estranhas, o que você será para você mesmo?
Luan Emilio Faustino 16/10/2010 – 21:17h





