sábado, 16 de outubro de 2010

Follow Me



Este não é um texto feito para entender o twitter, é um texto criado para pessoas que usam o twitter se entenderem.

Você já parou pra pensar como a sua geração será lembrada? Quais serão as suas referencias? Na velhice, quando você olhar pra trás e resolver resgatar em sua memória debilitada, o que você vai lembrar de ter feito na sua juventude?
 Tenho certa aversão por textos que começam com vários pontos de interrogação, sobre tudo quando eu estou escrevendo, até porque caberá a mim, autor das perguntas responder aquilo que ingenuamente fora levantado de forma aleatória.
   A maioria de nós passa mais tempo na frente do computador do que na presença dos familiares, mas tudo bem, não vamos vilanizar os computadores, afinal se não fossem eles certamente os jovens achariam uma forma alternativa de se distraírem de tudo aquilo que eles julgam monótono e/ou ultrapassado.
  Então se cria uma barreira imaginária, um universo paralelo de possibilidades infinitas, resumindo: se cria uma conta no Twitter. É um momento realmente significativo na vida de qualquer internauta, onde ele passará a condicionar as suas idéias em um espaço delimitado em 140 caracteres.
É de uma democracia incrível, esse lance de espaço igualitário, porém nós sabemos que a inteligência para preencher tal espaço não é distribuída da mesma forma. (1 minuto de silêncio pelos tweets descabidos que já li).
Mas nada, NADA chama mais atenção nessa rede social do que a carência generalizada das pessoas; é de uma falta de orgulho próprio declarada  que chega a ser preocupante, de tal forma que eu me questiono: mas porque raios motivos elas querem tanto que eu as siga e saiba sobre a suas vidinhas desimportantes?!
Sei lá... Pedir Follower é igual pedir que digam que te amem, você sabe que mesmo que a pessoa o faça não será orgânico, então porque você faz?! POR QUÊ?!
Qual a vantagem de ser seguido e de seguir alguém que você não tem o menor interesse? Status? Platéia? Ou será que no fundo a quantidade de followers é proporcional ao vazio que transcende o mundo virtual?
 Então elas se sujeitam a seguir pessoas desconhecidas na esperança que uma ou outra se compadeça e retribua a gentileza, mas o mais incrível é constatar que o único diálogo que essas duas pessoas travaram na sua vida virtual inteira se resume em: “estou seguindo @fulano " que é respondido com um “ @fulano estou seguindo você também”. Pra que isso meus Deus?!?
 Estamos deixando de viver em plenitude para relatar o marasmo, o #tédio, descrevendo nossas dores, duvidas e angustias à espera de um Retweet que nos faça sentir menos sós, que nos mostre que não somos os únicos a sentir, achar e viver determinados sentimentos, opiniões e situações.
 Não quero parecer hipócrita, sou twitteiro, mas existe uma grande diferença entre usar uma ferramenta e se tornar escravo dela. Li em algum lugar a frase: “você é aquilo que você segue”. Acho que você mesmo pode responder essa: se você segue pessoas estranhas, o que você será para você mesmo?


Luan Emilio Faustino 16/10/2010 – 21:17h

Frases Soltas

"Sinto-me culpado por não sentir, é como se houvesse um parentesco perdido entre uma rocha e eu. Onde certamente eu, seria a ovelha negra..." Luan Emilio Faustino

Utópico


No fim de tudo haverá um sorriso sincero
Um momento mais terno onde eu possa me achar
Sombras de um sonho imaculado
Fazem com que o meu passado
Se desfaça em um piscar
Na consciência do tempo que se perde
Na manutenção da vida que aguarda
Sou hoje o guardião dos sonhos
O portador da luz que teima em ofuscar-me
Sinto o ar que me renova
Encho o peito de falsas esperanças
Que se desfazem
Deixando-me tão vazio quanto antes
Quero um sonho compartilhado
Um amanhã eternizado
No que sobrar do meu legado.
E se nada der certo nessa tentativa de fuga
Sobram-me sonhos petrificados
Que nem a mais triste desilusão pode destruir.
Defino-me assim o mesmo sonhador de outrora
O passatempo dos fracos é o efêmero
Não existe eternidade para os que ignoram o hoje
Porém aos sonhadores cabe o amanhã
Somos feitos reféns daquilo que nos liberta
E hoje reconheço estar sozinho nesta cela
Depois de tantas conquistas compartilhadas
Reconheço a derrota, o fim eminente.
E uma pergunta ecoa em minha mente:
O que sou eu agora além de um sonho?

Luan Emilio Faustino 19/01/09

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pseudo Liberdade



Já não posso não querer, impuseram-me escolhas, me fizeram querer quando tudo o que eu queria era não querer.
Disseram-me: quem não sabe o que procura não vê o que encontra e fizeram-me acreditar que era preciso foco para se conseguir algo.
Mas nunca me deram o tempo para pensar no que quero, e já não sei se minhas escolhas são motivadas pelo o que outros querem que eu queira, ou se são tomadas justamente para ir contra essa alienação. Seja como for, não são minhas escolhas, nunca fui livre para querer.
O que houve entre as escolhas e eu foi uma doutrina que nunca percorreu os caminhos do questionamento existencial. Sinto-me fútil, vazio e me cerco das coisas frívolas que me fizeram crer serem indispensáveis.
Estariam todos mentindo, ou acreditam piamente em suas verdades questionáveis?! É tanto querer, são tantos desejos internos que me pergunto como algumas pessoas encontram tempo para questionar o querer alheio?
Exaltam a liberdade, morrem por ela, mas afinal: quem é livre? Se não existe consciência para se prender, existiria consciência para assimilar a liberdade? Vivemos em uma época onde querem mais ter do que ser, pois já não vivemos só para nós, é preciso “ter” para mostrar e não “ser” para bastar.
E como se não bastasse ver o mundo assim, você percebe que ele também te vê, e mais que isso, ele quer mudar você! Então se da inicio a batalha mais desproporcional de todos os tempos: você versus o mundo.
E você luta, morre e renasce. Quando se da conta que não se trata de uma guerra simples, dessas que se resolvem com bombas ou tratados de paz. No final, é você contra você mesmo, porque dentro nosso egoísmo inconfessável, acreditamos que tudo aquilo que julgamos ser o melhor para nós, é também o melhor para o mundo.
Nesse momento da percepção maior, quando notamos que o mundo não é exatamente nosso rival, que as semelhanças passam a ser notadas, o discurso passa a perder força e finalmente você passa a querer. Sim, você quer! Você sabe o que quer! E quando se da conta, esta em meio ao senso comum querendo o mesmo que todos. Você olha em volta, você encara o espelho e tudo o que você mais quer é simplesmente ser: diferente!

Luan Emilio Faustino 06/04/10 - 16:22h

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Iridescente


É mais difícil assimilar a felicidade,
Quando tudo o que se sabe é o resultado da soma das desilusões
Talvez acreditar no que me faz sorrir seja o mais sensato
Talvez descrer do amor seja um crime mortal para um poeta,
Mas o que é certo quando se trata de sentimentos?
Não importa o quão maduro alguém se julga em relacionamentos,
Sempre haverá algo novo para aprender, temer e acreditar.
Porque o amor não existe apenas para nos fazer felizes,
Ele existe, sobretudo para nos fazer sentir vivos.
Foi em seus olhos que um arco-íris se formou timidamente,
Desses que a gente vê depois de uma longa tempestade.
E as cores que um dia se apagaram de minha vida,
Estavam todas ali, reunidas em um único olhar.
E eu sei que por mais belo que um arco-íris possa ser,
Cedo ou tarde ele se desfaz sem aviso prévio,
Mas até lá eu já terei decorado as suas cores
Para poder pintar junto a você,
Os sonhos que hoje eu posso compartilhar.

Luan Emilio Faustino 13/10/2010 – 07:12h

domingo, 10 de outubro de 2010

Leia-me


Já não me cabe julgar
Por onde seus olhos andaram
Agora que eles me pertencem
Farei de estas linhas o meu clamor
Deste poema a nossa história
Farei uso de tudo àquilo
Que em breve será só teu
De tudo que fora ignorado
E de tudo que precisa ser dito

Leia-me não porque vos peço,
Não porque o ato és belo.
Leia-me por ti,
Pelo poder interagir,
Leia-me da forma que te agrada,
No tempo que lhe sobra,
Sozinho, acompanhado, não importa.
Apenas: Leia-me

Poemas, revistas
Jornais com noticias
Palavras te cercam nas linhas da vida
Na bula um aviso
Na carta um alento
No verso um suspiro
Que marca o momento

Parábolas, contos, fábulas,
Hinos que já não dizem nada
Livros que ainda serão escritos
Palavras que não serão usadas.
O fim é um mistério a ser lançado,
Uma história inacabada.
Somos todos personagens
De enredos que se cruzam,
Do qual o ponto final hoje pode esperar

Luan Emilio Faustino – 16/11/08


sábado, 9 de outubro de 2010

O meu inteiro ambiente



Assim como as árvores, sinto-me preso,
Nesse mar de mudanças
Tudo parece ter mudado menos eu
Existe algo de novo?
Existe vida lá fora?
Eu quero poder acreditar no amanhã
Mas será que ele ainda acreditará em mim?
Não mais julgo o certo e o errado
Sou parte do erro, sou meio ambiente
Sou culpa, sou a solução,
Mas meu maior erro foi ser humano.
Por que não fui simples como a natureza?
Será que ela me dará uma segunda chance?
Porque mesmo que agora eu gritasse
O meu arrependimento, quem iria me ouvir?
Há tanto barulho lá fora,
Que às vezes quando faz silêncio
Não tenho a coragem para interrompê-lo.
Sou assim... Covarde por essência
A atual consciência de que é preciso mudar
Desculpas não despoluem o ar,
Lembranças não fazem o tempo voltar
Por pior que seja a visão é preciso enxergar
Ou será que sonhar ainda vale à pena?
E o que será de nós quando acordarmos?
A sombra de um pesadelo?
Não, hoje eu quero sonhar na prática
Quero o verde, quero as matas
Devo muito a este planeta
Para perdê-lo assim para mim mesmo
Tenho uma missão maior que eu
Porém menor que o mundo
Mas agradeço por ainda ter a clareza
E a infinita certeza, de que luta continua
Mesmo que eu não tenha começado
Mesmo que eu não possa terminar
Farei ainda assim a minha parte
Pois sou parte deste mundo
Sou um mundo meio a parte
Mas acima de tudo:
Sou e sempre serei a parte que me cabe.

Luan Emilio Faustino 02/08/08 23:06hs.