quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Contemporâneo


Das imagens altamente definidas,
Dos Ipodes que hoje guardam sua vida,
Segue o mundo se perdendo nas esquinas,
Do progresso e da tecnologia.
As pessoas já não param pra escutar,
Não há tempo e o ouvido hoje é lugar
Desses fones que ocupam nossa mente,
Distraindo sem nunca acrescentar.
Nesses tempos onde tudo é indefinido,
Onde a arte pode ser um borrão lindo,
Somos parte de um quadro em movimento,
Que ao vê-lo não nos reconheceríamos.
Dos Orkuts que se criam a toneladas,
Somos fotos meramente ilustradas,
Que retratam a verdade do que somos,
Quando somos a mentira encarnada.
Mas nem tudo nesse mundo é só lamento,
Restam ainda os pequenos fragmentos,
Que unidos nos revelam as verdades,
Que se encontram na beleza dos momentos.
Somos hoje um arquivo de palavras,
Das lembranças virtuais eternizadas,
Que uniram as pessoas de tal forma,
As fazendo se sentirem separadas.
Numa era onde a regra é não ter regra,
Numa terra onde o bem já não prospera,
Somos frutos de uma arvore que se seca,
A espera de uma eterna primavera.

Luan Emilio Faustino 07/02/09 - 16:52

domingo, 24 de outubro de 2010

Eu, tu e o nada


Eu ti olhei quando tu ja não se via
E te falei coisas que nunca ouvira
E te mostrei quão perfeita era esta vida
Para os que vivem o saber de cada dia
Eu procurei simplesmente não falar
E com o olhar conduzi-la a sonhar
E vi seus olhos se fecharem ao chorar
E vi meu sonho se perder em seu olhar
Eu quis fugir, mas ali então fiquei
Eu quis chorar, mas fui forte e me aguentei
Eu quis gritar, mas meu grito eu calei
Eu quis não ser tudo aquilo que eu sonhei
Me vi perdido quanto tu então me olhou
Me vi sorrir quando o teu choro cessou
E quis falar quando tu não me deixou
E nada quis quando então tu me beijou.

Luan Emilio Faustino 6 de janeiro de 2007 (14:39hs)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Das cartas que nunca mandei - Parte IV



Destinatário: Sra. Morte

Talvez você não entenda o real motivo pelo qual lhe escrevo hoje. Não, este não é um pedido de adiantamento para a execução de seus trabalhos em minha vida. Faço questão de iniciar a carta desta forma para evitar possíveis mal entendidos...
 Às vezes quando reclamo da vida e me penitencio de forma dura pelos meus erros o que me consola é você, sim, você! Afinal, deve ser muito mais doloroso   cometer um erro, quando envolve tantas outras dores.
 A maioria das pessoas prefere evitar o inevitável e trata-la com descaso, ignorando-a quase que completamente, como se assim, evitando falar seu nome ou lembrar da sua existência, você por algum descuido ou acesso de bondade esquecesse delas. Mas a gente sabe que não é assim, não é mesmo?
 Eu tenho pensado na morte, digo, em você com uma freqüência quase tão intensa como as pessoas pensam na vida, não que eu não pense na vida, mas pensar sobre você me ajuda viver a vida de uma forma mais intensa.
Porque se a gente não pensa no fim das coisas, acabamos não dando o devido valor aos inícios e meios nos quais nos encontramos.
 Algumas pessoas dizem que o seu papel na Terra é meramente figurativo, calma eu explico... Dizem que você não existe, ou no máximo existe parcialmente, tirando apenas a vida do corpo e libertando a alma desse plano material. Confesso que lendo assim me pareceu um tanto quanto poética a sua função, pena que nem todos enxerguem a poesia que há em você...
 O que ainda não foi dito nesta carta, é o porquê lhe escrevo, o porquê lhe procuro assim tão desesperadamente, mas eu não posso simplesmente escrever o que eu quero, preciso pensar duas vezes antes de escrever cada palavra, pois somente os loucos e os apaixonados seriam capaz de despertar a irá da morte.
 Sim... Foi exatamente o que eu disse: a-p-a-i-x-o-n-a-d-o-s, ou você acha que eu não reparei na forma sádica como você os separa? O pior não é a morte física propriamente dita, mas a morte dos sentimentos, você atua nesse seguimento também? Enfim...
 Desculpe, perdi o foco, eu ainda preciso lhe dizer, preciso lhe falar abertamente sobre essas coisas que eu não sei dizer, essas coisas que nos tiram o sono e nem ao menos sabemos explicar, preciso que me ajude a entender o que nem mesmo eu entendo.
 Mas e se você simplesmente me ignorar? Se resolver se vingar dos milhares de anos de descaso da humanidade em cima de uma única pessoa, se minhas perguntas não tiverem a menor perspectiva de resposta eu haveria de deixar de formulá-las?
 Eu sempre tive a curiosidade de saber qual seria o seu real humor, se você encara o seu trabalho como um tédio, ou o vê como um mal necessário. Talvez se divirta, não sei...  Existem tantas formas doentias de diversão mundo a fora...
 Devo estar te importunando e ainda nem disse o que preciso te dizer. E eu me pergunto quantas pessoas deixaram de morrer enquanto te prendo a minha carta, algumas centenas de milhares, milhões talvez? Não... Eu não estou querendo te distrair, ao menos não era essa a minha intenção. Por favor, não se irrite ou perca a calma justo agora, eu ainda preciso que você saiba o que não dá mais para adiar, o que eu preciso mesmo lhe dizer é quê.

Luan Emilio Faustino 07/10/2010 – 08:30h

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Mixagem de Som: WA produções
Produção e Edição:  @_junnyor

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Depois


Quando não existem mais lágrimas para serem enxugadas
Quando a dor é uma lembrança superada
A felicidade pode parecer uma estranha que te convida
Para uma festa da qual você nunca quis ter saído.
A duvida cruel que dilacera momentos
Faz com que se acredite apenas na dor
Ao passo em que nos furtamos da alegria,
Amiga distante que perdemos contato.
Se ainda houvessem lágrimas a serem expulsas
E sentimentos a serem superados,
Talvez esse vazio que se engrandece não fosse notado.
Quando rir de tudo não tem graça
Quando a sua conquista não é devidamente compartilhada
Algo parece não fazer sentido, mesmo quando tudo da certo.
E você quer sorrir como se fosse verdade
Mas percebe que sua mentira não convence nem a si mesmo.
Quando tudo passa a ter um novo significado
Quando os conceitos são refeitos em noites de insônia
Os espaços existentes tomam formas de labirintos
A vida insiste em seguir, ainda que não saibamos pra onde.
Procuramos saídas, um ponto de origem, sinais.
E depois quando o corpo se farta dessa falta do que sentir
As paredes construídas pelo medo caem formando pontes
De volta ao mundo dos que sentem, existe o risco.
Mas nada mais te amedronta, o medo maior já passou...
Existe em ti um coração humano que nunca deixou de pulsar.

Luan Emilio Faustino 06/02/10 – 23:13hs

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dia 20 de Outubro - Dia do Poeta


Mas final o que é ser poeta? Entre as inúmeras de definições, uma das que eu mais gosto é dessa poetiza que eu adoro:

Ser Poeta

[...] É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito”  [...]


Florbela Espanca


Gostaria de aproveitar a ocasião para agradecer todos os poetas que escreveram o que precisava ser lido, que eternizaram momentos realmente significativos, que de alguma forma me consolaram com suas palavras. Para quem quiser dicas de leitura, segue uma pequena listinha de poetas dos quais eu sou um profundo admirador: Fernando Pessoa *___________*, Celicia Meireles, Carlos Drummond de Andrade (foto do post), Vinicius de Morais, Mario Quintana, Manoel de Barros, Casimiro de Abreu, William Shakespeare, Caio Fernando Abreu, Walter Whitman e Oscar Wilde. Se dê a oportunidade de vivenciar uma boa leitura, todos que estão citados a cima irão lhe proporcionar momentos incriveis!

Encontro Poético

Os poetas se encontraram
E se olharam excitantes
Conversaram sobre tudo
Todos juntos num montante.

Encontraram uns aos outros
Encontraram a si mesmos
Semearam esperança
Confessaram seus desejos

Inspirados se encontraram
E perderam a censura
Só se via versos livres
E um ar de aventura.

Os poetas reunidos
Desvendaram o mistério
De brincar com as palavras
Sem deixar de falar sério

Refletiram sobre o mundo
Sobre suas diferenças
Sobre seus sonhos comuns
Sobre a nossa existência.

E aos poucos dispersaram
Sem maiores despedidas
Só poemas registraram
O  encontro de uma vida

Luan Emilio Faustino  

*Poema que abre o livro “Poesia, contos e Crônicas” da Associação dos Escritores de Araraquara, lançado em 2007

terça-feira, 19 de outubro de 2010

1 Mês de Blog!!!!



Em comemoração ao 1º mês de existência do blog, fiz esse vídeo bemm AMADOR pra vocês! Espero que gostem <3

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O que te coube nos teus sonhos



São dois momentos distintos
Unidos por um único gesto
De repercussão ambivalente.
De um lado a casualidade,
Do outro a mais tenra vontade.
E tudo pode dar certo como errado,
Porque enquanto o fim não chega
Os sonhos e os medos lutam
Dentro de ti,
Aonde só você sabe,
Da forma que só você sente.
Pois não existem testemunhas
Para o crime dos que guardam.

Palavras se perdem frente aos atos,
Promessas se quebram, viram cacos.
E você esta a um passo do acaso desejado
A um passo de o sonho ser despertado.

É tudo tão incerto nessa terra dos que sentem...

O novo, o medo e o amanhã.
Hoje cabem todos em um só sonho.
Pra onde os sonhos nos levam?
Do que são feitos os sonhos?
Não importa...
Nos dias de hoje é tão raro sonhar.
Que pensar o sonho chega a ser um desperdício.

Luan Emilio Faustino 20/04/2009 – 10:01h