segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aos seus Olhos



Acorde para os medos que não adormecem em ti
Pois quando o sol desfigurar a escuridão,
A escuridão que há em ti irá queimar
Da forma que só você pode sentir.
Abra os olhos,
Tire as vendas que você mesmo colocou,
E entenda que não querer ver o problema
É se negar a encontrar uma solução.
Você pode até se esquecer de quem você é
E ainda sim o medo irá te lembrar
De tudo aquilo que você nunca vai ser.
E você poderia gritar,
Se isso não demonstrasse a sua fraqueza.
Você poderia fugir mais uma vez,
Se soubesse ao certo do que esta fugindo.
E aquela antiga imagem imponente ostentada
Cai aos olhos daquele que você mais deveria amar.
Ela se parte assim como a coragem,
Fragmenta-se e se desfaz na vazão do tempo
Ela sucumbe ao fracasso diário
Que é visto, sentido e vivido,
Única e exclusivamente:
Aos seus olhos.

Luan Emilio Faustino 08/01/10 - 00:58h

sábado, 27 de novembro de 2010

Resultado da Enquente

Com mais da metade dos votos o poema "Bipolar" foi o escolhido para virar vídeo, em breve estarei gravando ele e postando o vídeo aqui pra vocês, votem agora na nova enquete que ficará até janeiro no ar, onde estreiará a série de poemas "7 Pecados". AGUARDEM!!

E obrigado a todos que votaram nesta enquete!!!

Seria? Será? Seremos!

   Rio de Janeiro Novembro de 2010


Seria este o fim anunciado?!
Seria apenas mais um sonho terminado?
Seria ele um garoto amedrontado?
Ou um sorriso que pra sempre foi negado?

Seria o dia que se segue fantasia?
Seria belo o nascer do novo dia?
Será que a vida simplesmente assim queria?
Ou será certo afirmar que não seria?

Será que o mundo não se cansa de chorar?
Será que sempre os inocentes vão pagar?
Será que alguém nesse Brasil pode escutar?
O grito rouco que não pode mais calar?

Será que a vida voltará a ser vivida?
Será seguro do outro lado da avenida?
Será que temos um refugio, uma saída?
Será que o amor fechará nossas feridas?

Seremos nós prisioneiros desse medo?
Seremos parte se não agir quando devemos?
Seremos vivos para ser o que queremos?
Ou já morremos sem saber pra que viemos?

Seria fácil, se não fosse tão difícil.
Será mais fácil esquecer, não dar ouvidos.
Seremos fracos e aos poucos corrompidos
Seremos todos os culpados coagidos

Luan Emilio Faustino 13 de fevereiro de 2007 (02:44hs)


Este poema foi escrito em 2007 em homenagem ao menino João Hélio que morreu após ser arrastado por um carro em fuga. Os assaltantes envolvidos no caso ja estão todos livres #Reflita

Infelizmente o poema continua atual, porque não se trata apenas da morte de um menino, se trata de um símbolo da violência que atinge a todos, inclusive os inocentes. A gente vê nos jornais a violência explodindo no Rio de Janeiro, São Paulo, mas a verdade é que somos coniventes com tudo isso que esta acontecendo. Enquanto o tráfico de drogas e de armas for mais organizado que nós, pessoas de bem, o crime, o medo e o pânico não vão acabar.
 Criar TAG's no Twiiter como
#paznoRio, pode até ser uma atitude bonita de esperança, mas não muda em nada a nossa realidade. As pessoas precisam parar de se acomodar atrás de seus computadores e entender que reclamar, comentar e assistir a desgraça alheia ou mesmo a própria desgraça não muda em nada. 
 Eu não quero propor a anarquia ou a violência generalizada, mas as coisas precisam começar a mudar, seja na hora do voto, seja no engajamento politico e na luta diária pela justiça e verdade.

O dia em que o cupido se apaixonou


 Aquela era pra ser mais uma tarde apaixonante de trabalho, distribuindo flechadas e promovendo encontros que as pessoas preferem atribuir ao acaso se esquecendo assim de minha insignificante existência.
  Eu não sei exatamente como tudo isso começou, certo dia descobri assim meio sem querer que as minhas flechadas não machucavam, pelo contrário elas provocavam uma espécie de sentimento bom, um sentimento que as pessoas vivem a procurar e morrem para não perde-lo. Até hoje não sei ao certo se o efeito desta minha flechada é libertador ou se ele aprisiona minhas vitimas, apenas sei que a ele deram o nome de: AMOR.
 Eu queria poder entender tal sentimento que a mim fora confiado, poder senti-lo apenas uma vez, mas creio que eu seja o ultimo da minha espécie, isso explica porque hoje em dia esta tão difícil encontrar o verdadeiro AMOR, oras eu ainda sou um só, e não é nada fácil ser cupido nos dias de hoje.
 As pessoas andam com tanta pressa, em passos largos e olhares fixos para frente, que fica difícil poder acertá-las com êxito; vez ou outra eu erro a pontaria e reúno casais improváveis, destes que as pessoas olham e apontam na rua quando passeiam de mãos dadas.
 No começo eu me culpava pelo erro, me martirizava, porque o AMOR uma vez instaurado dificilmente se desfaz, mas hoje, olhando esses casais improváveis eu noto o quão belo é o AMOR, que faz com que as pessoas superem as diferenças tendo como base de suas atitudes o coração e não mais as convenções.
 Assim como a maioria das entidades da fantasia eu também não envelheço, presencio o começo, meio e fim de cada flechada dada, às vezes o fim chega mais cedo do que o imaginado e as pessoas temem não mais sentirem o que um dia eu as proporcionei. Mas existem casos e casos, carrego comigo um arsenal de flechas infinitas que podem muito bem acertar uma mesma pessoa mais de uma vez. Porém retirar uma de minhas flechas não é tarefa fácil, as pessoas dizem que não sentem mais nada, que superaram, mas eu sei quando a flecha ainda esta lá.
 E é tão triste ver as pessoas mentindo pra si mesmas e querendo acreditar em suas mentiras... Depois de muito observar, cheguei à conclusão de que as minhas flechas podem não doer quando entram, mas doem inevitavelmente quando saem...
E foi naquela tarde apaixonante de trabalho que tudo mudou, como de costume procurei cautelosamente meu alvo, observei por um tempo, encontrei a vitima ideal: solitária, carente e com muito amor pra dar. Eu podia ler tudo isso em sua áurea (sim eu tenho essa estranha habilidade), mas havia algo de diferente dessa vez, algo que eu não conseguia ler, o que de certa forma tornou aquele alvo mais interessante que todos os outros.
 Eu mirei e mantive com firmeza a flecha esticada em minhas mãos para diminuir as chances de erro; com a flecha lançada eu vivi aquele momento de expectativa que aos olhos dos outros poderia passar em segundos, mas para mim foi uma pequena eternidade onde vários pensamentos tomaram conta de minha mente.
 Fiquei SURPRESO! Na verdade achei que os meus olhos estavam me enganando, não havia apenas uma flecha cravada na pobre alma, agora haviam duas, mas uma já estava lá! COMO NÃO NOTEI ISSO ANTES?!
 Desesperado, me aproximei e tentei retirar a flecha que levianamente eu atirei, eu tremia de aflição e culpa; e foi em um descuido ainda maior que o meu dedo se cortou na tentativa frustrada de retirar a mesma flecha que eu havia lançado. Naquele exato momento, eu que sempre fui invisível aos olhos de todos passei a ser visto por uma única pessoa.
 Eu tive que aceitar a perda do controle momentâneo, eu tive que aceitar os sentimentos que estavam em mim o tempo todo adormecidos. Na verdade eu não tive escolhas, quando me dei conta eu havia deixado de ver os sentimentos em terceira pessoa e passei a vivenciá-los.
 Era tudo novo e cabia tudo em um único olhar, porque da mesma forma que somente ela me via eu soube naquele momento que somente eu a veria tal como ela realmente era.
 Foi nesse dia que me apaixonei, foi nesse dia que encontrei minha cúmplice, minha aliada. E se hoje o mundo tem um pouco mais de AMOR é porque ela esta ao meu lado, me ajudando nessa tarefa apaixonante de se apaixonar todo dia pela mesma pessoa.

Luan Emilio Faustino 25/11/2010 – 2:52h

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Indiferente Evidência


É triste concluir, o que se quer negar.
Quando a dor de outrora
É o que te faz lembrar.
De tudo que te fez
Crescer,
Modificar
E se tornar aquilo que se quis evitar.

São meras conseqüências
Prováveis evidências
De atos impensados
Insanos por essência.

É triste não sentir, não ter em quem pensar.
E se ocupar com sonhos
O que não existem mais
De toda indiferença
A tua é que dói mais
Quando a ti eu vejo
Negando o meu olhar


São truques do destino
Mudanças no caminho
Espelhos que refletem
O eco do vazio


É triste não sorrir e fingir se alegrar
Quando a vida segue
E você quer ficar.
Quando tudo se cala
E você quer falar
Quando a tristeza acaba
E você quer chorar.


Luan Emilio Faustino 15/07/10 – 04:11

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Achados e Perdidos

 
Entre achados e perdidos
Nas lembranças que não tardam
Segue simples esse outono
Onde as folhas se escapam

No infinito que se acaba
Há motivos pra risadas
Uma pausa necessária
Pra seguir a velha estrada

Que se mostra imponente
Como se desafiasse
O caminho mais difícil.
Mesmo em face do desastre.

Nessas vias de mão dupla
Nas estradas que me seguem
Manterei minha conduta
A despeito dos que fervem

Entre achados e perdidos
Entre os mortos e os vivos
Sou herdeiro de um sonho
De um Eu que ainda insisto

Logo a frente uma miragem
Que distrai o sofrimento
Com promessas de um futuro
Que desfazem este silêncio

Que desfazem quase tudo!
E desfeito agora estou...
Como peças de um “lego”
Que a criança não juntou

Entre achados e perdidos
Sigo sempre a me encontrar
Nessa busca que se entende
Aos que ousam me achar.

Luan Emilio Faustino – 11/03/09 - 03:27hs

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O meu medo é você

Eu quis poder encontrar,
Além de seus olhos,
Uma nova razão para viver.
Pois quando eles se fecham,
Eu me cego.
E quando eles se abrem,
Eu me nego a ver
Que todo aquele amor
Se foi antes mesmo de eu dizer:
“ – Eu também te amo.”
Volta! Não por mim...
Mas pela pureza de seus sentimentos
Por tudo aquilo que fazia
Os meus olhos brilharem.
Eu quis poder seguir em frente,
Mas já não tinha a quem seguir.
Me leve para onde foram os seus sentimentos,
Me leve ao céu, ao inferno
Desde que lá eu possa ter a certeza
Que encontrarei você.
Eu faria tudo aquilo
Que o meu medo me impediu de fazer,
Como se o amanhã nunca fosse chegar,
Como se o tempo não existisse.
Se você estiver ao meu lado,
Então não haverá mais o que temer.
Pois hoje o meu único medo
É perder o sentido que motiva,
Este coração que você conquistou
Continuar a bater.

Luan Emilio Faustino 04/09/08 13:15hs