domingo, 29 de maio de 2011

Sacrificio


E eu que só queria reintegrar os pedaços do meu coração, descobri  que ele poderia se quebrar em pedaços ainda menores. Estou fragmentado e o que me uni são os meus sonhos. Sem eles eu nada mais sou do que um quebra cabeça sem referencia com as peças espalhadas pela mesa. Remontar eu mesmo pode levar tempo e exige paciência dos que se habilitam a vivenciar este jogo. Porque talvez falte em mim algumas peças que vieram de fábrica, como a ingenuidade e a esperança por exemplo...  Mas a vida sempre nos dá peças novas, não é mesmo? E é preciso estar atento para isso, atento para o novo, para essas coisas que passam e não voltam mais. Pois o nosso maior desafio não é completar a imagem igual a original (aquela da contra capa do jogo), e sim conseguir ser original com as peças que as vida nos dá.

Inspirado na frase de Charles Dubois: “O importante é termos a capacidade de sacrificar aquilo que somos para ser aquilo que podemos ser.”  

Luan Emilio Faustino 28/05/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Bastidores


São tantas pessoas que nos iludem e metem medo, que a gente às vezes mesmo sem querer acaba metendo medo e desiludindo aqueles que poderiam muito bem saber receber aquilo que tão comumente guardamos em uma espécie de instinto protetor. Por medo de nos tornar vulneráveis, escondemos os sentimentos e tudo aquilo que possa realçar ao próximo a nossa condição de humanos imperfeitos. De tal forma que em dado momento as pessoas e em casos mais extremos até nós mesmos, começamos a duvidar da existência dos nossos próprios sentimentos. Mas eles estão lá, quietinhos, em algum lugar entre os traumas e os medos, à espera de alguém que os enxerguem, alguém que os cative e resgate tudo aquilo que está guardado em nossa essência. Mas as pessoas não enxergam assim tão facilmente, elas crescem e se distraem com os traumas e os medos. E o sentimento coitado, fica lá... Sozinho, intocável, assistindo tudo de longe, se sentindo um figurante de um filme que ele mesmo dirigiu. Ele queria poder gritar “- Corta!” e retomar tudo desde o inicio, mas a vida é este ensaio aberto e sem volta. Os sentimentos dirigem as nossas vidas e é a força deles que tornam ela colorida ou preto e branco. Com ou sem voz. Premiada ou esquecida. Vazia ou com platéia. No fim, são as nossas atitudes que serão vistas e reconhecidas, mas são eles, os sentimentos que motivarão cada uma delas. Mesmos nos bastidores os sentimentos exercem uma função fundamental: a de darem sentido a isso que a gente entende por vida.

Inspirado na frase: “Só se vê bem com o coração o essencial é invisível aos olhos” – O Pequeno Principe.

Luan Emilio Faustino 23/05/2011  01:36h.

sábado, 21 de maio de 2011

Frases Soltas

Construção do "eu"


Não me importo como as pessoas me vem, me importo com aquilo que eu sou. Porque no que diz respeito a julgamento alheio todo mundo tem um certo grau de miopia ou hipermetropia. Algumas pessoas vem a gente de longe e tomando por base uma atitude, um gesto ou uma impressão já acham que nos conhecem. Outras enxergam tão de perto nossas qualidades ou defeitos que ficam ali, limitadas ao que os olhos acomodados encontraram, elas não tem curiosidade de ver o resto, pois já estão acostumadas a não ver o todo. O fato é que existem muitas formas de se ver uma mesma forma de ser. E é com a construção deste ser que eu me preocupo,  independentemente se ele será visto da maneira certa, ele precisa ser certo, correto no que diz respeito a forma que eu enxergo o certo, são meus valores, minhas crenças, minha consciência. É o meu ser, é tudo que tenho, é tudo o que posso levar para onde quer que eu vá sem ocupar minhas mãos ou pesar minhas costas. Ele será apontado, criticado, rotulado, sofrerá mudanças com o tempo e com as pessoas que transitam nele. E eu espero que o meu ser seja forte, que ele seja determinado em ser ele mesmo e que ele nunca se esqueça que cabe a ele a tarefa diária de não deixar que a cegueira alheia afete a capacidade que ele tem de se enxergar tal como é. E se o meu ser estiver de bem com o espelho, não haverá reflexos distorcidos que o farão desacreditar de si mesmo.

“Muitas pessoas me vem, poucas pessoas me enxergam, mas nenhuma sabe tanto quanto eu o que é ser eu mesmo. Talvez nem mesmo eu saiba, talvez não queira saber...”

Luan Emilio Faustino 21/05/2011 – 07:51h

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu sei



E eu sei que não existe nada nesse mundo que possa fazer a gente voltar. E eu falo “eu sei”, não porque realmente saiba, mas porque eu quero acreditar nisso. Eu quero me convencer que essa esperança inconfessável que ainda carrego comigo é tola e não merece a graça de sua existência. Você e eu já não existimos mais da forma que nos conhecemos, somos outras pessoas, novas vivências, novos gostos, não somos mais um só. Ainda que os nossos corpos se toquem novamente, seria apenas um encontro físico, mero desejo carnal que me faria sentir ainda mais vazio do que agora. Eu não posso te usar para tentar te reencontrar, não posso deixar que os meus olhos te encontrem nem mesmo por um segundo. Porque eu sei, que eles vão me trair, eu sei que aquele não será você, que aquela não é a mais a nossa história, não é nem um terço do que um dia foi, nem é um décimo do que eu sonhei para nós. São imagens em movimento que me confundem, perturbam, me tiram o sono. Preciso aprender a seguir em frente e dominar essa dor que te faz presente, mesmo estando tão distante. Preciso me distanciar dos pensamentos que te trazem para perto de mim. Frustrante talvez seja a melhor palavra que defina a sensação de quando a gente acha que segue, mas continua no mesmo lugar. Alguns sentimentos são tão traiçoeiros e perspicazes que por mais que se desgastem no tempo, conseguem encontrar dentro de nós um lugar para se esconderem e se manterem a salvo, sobre tudo de nós mesmos. Eu sei que posso estar errado por dizer as coisas que não sei na tentativa de esquecer as coisas que sei. Eu sei, mas finjo não saber. Eu sei tanta coisa sobre os meus sentimentos que as vezes acabo deixando de sentir. E eu sei que nada do que eu diga vai me convencer que a nossa história acabou. Eu sei, eu sei, eu sinto, eu nada sei...


Luan Emilio Faustino 19/05/2011 – 03:16h