terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre a fé que não tenho

Parece que o desafio maior da humanidade sempre esteve relacionado com a fé, ou seja, aquilo em que acreditamos espontaneamente, pelo simples fato de acreditar e não porque nos disseram que era o certo.
As pessoas acreditam no poder de mudança de Deus, mas não acreditam mais no poder de mudança das próprias pessoas, mesmo um sendo a imagem e semelhança do outro...
Sinto-me na contramão do mundo, enquanto a maioria prefere vestir à roupa do “realismo” e se privar das frustrações, se esquecendo assim que não acreditar nas pessoas e uma forma indireta de descrer de si mesmas, eu descrente de Deus acredito nas pessoas.
Todavia, a fé não é algo que se transfere como o conhecimento, ela não se planta como a soja e tão pouco se ganha como herança, e você pode reparar: o mundo divide-se praticamente entre as pessoas que impõem a sua fé e as desprovidas de fé que se subdividem entre as apontadas e as que fingem ter uma fé.
Qual é o crime maior: punir alguém pelo o que não acredita ou ser punido pelo o que acreditam os outros? Afinal como posso crer em algo que descrê de mim, que descrê da forma que reconheço o amor?
O mundo é uma contradição, um verdadeiro paradoxo, matam em nome do Deus da vida, guerras são criadas para alcançar a paz, e você quer acreditar que o bem existe, mas não consegue reconhecê-lo nem em seus próprios atos.
A gente cresce acreditando que tudo é uma mentira, que a cegonha fora criada pelos conservadores, que o Papel Noel só existe no mundo capitalista e que a mesma igreja católica que elegeu a avareza como um dos 7 pecados capitais, não derreteu o trono de ouro do Papa para diminuir a fome da África.

E antes que me perguntem, já me adianto: não, eu não sou ateu. Eu apenas tenho dificuldades para entender esse Deus que nos cobra pedágio para garantir o nossa entrada no céu. Mas talves isso seja apenas coisas dos homens, enfim...
E quando me perguntam: “Afinal, no que você acredita?” Eu penso um pouco para não ser negligente, refaço a pergunta para mim mesmo e respondo: "a vida é o único milagre verdadeiro em que devemos sempre acreditar."

Luan Emilio Faustino – 12/01/10 – 12:29hs

Ispirado na frase: "A vida é o único milagre verdadeiro em que devemos sempre acreditar." (Nelson Barh)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sonho



Não, eu não sou o que deveria ser
Sou apenas o que o sobrou de um sonho
Desses que você nunca ousaria sonhar...
E ainda que aos olhos dos outros eu pareça sozinho,
Nos meus sonhos você me faz companhia.
E quando acordo desses sonhos desejáveis
Eu volto a sonhar acordado
Pois tudo o que eu sei é sonhar.
E se você acha que nada sabe
Acredite em mim, pois eu sei...
Que embora hoje o medo tome conta de você
Eu serei aquele que tomará conta de você para sempre.
Mesmo que o para sempre dure apenas o tempo de uma paixão
O tempo de um segredo mal guardado
Ou até mesmo dure o tempo de um sonho interrompido.
Seremos assim, unidos sem nunca termos nos juntado
Uma especie de paradoxo inventado por alguém desesperado
Alguém que ama, sente e clama
Que um dia, ou em uma noite
O sonho passe a ser simplesmente realidade.

Luan Emilio Faustino 22/06/08 01:00 hs

domingo, 21 de novembro de 2010

O Colecionador de Cicatrizes




Aos que a desprezam,
E olham feio,
Aos que a evitam a todo tempo
Não sabem ver na marca eterna
O lado bom de um vão momento.

Em meio aos cortes superados
Renasço em sonhos mutilados
Para chegar ao meu destino
De reintegrar os meus pedaços

Assim eu sigo em meio aos cacos
Nesses caminhos inexatos
Colecionando cicatrizes
Que são troféus do meu passado

E quando a dor bater a porta
Eu jogarei a chave fora
Para deixar entrar sem medo
O que nos mata e nos renova

Em cada marca uma história
Em cada história uma lição
Que faz de humanos imperfeitos
Profetas da superação

E já despido do orgulho
Rendo-me a nova condição
De acumular na carne fraca
O que é luz e escuridão.


Luan Emilio Faustino 24/06/09 18:33hs


Dedicado ao livro que mudou minha vida. Obrigado J.K. Rowling!

sábado, 20 de novembro de 2010

Frases Soltas

"Às vezes me pergunto coisas tolas que tomam ar de importância sem nem ao menos existir. E são nessas inexistências que eu me encontro: perdido, como os pensamentos vagaluminosos que acendem e apagam dentro de mim." - Luan Emilio Faustino

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Das cartas que nunca mandei - Parte VI



Destinatário: Amigos

Essa sem duvida é a carta mais difícil que já me propus a escrever, talvez a maioria não entenda o porquê, mas eu explico... Acredito que quanto mais significativo algo seja para nós, maior é a responsabilidade que temos no seu trato.
Houve um tempo em minha vida onde eu não tinha um único amigo, salvo meu cachorro é claro... Era algo realmente desesperador, enquanto as crianças normais pediam para ir a Disney ou o vídeo game ultima geração, eu pedia amigos quando assoprava as velinhas do meu aniversário. E hoje eu sei que o meu pedido foi atendido.
Esta será uma carta diferente, eu peço desculpas aos que não forem citados de alguma forma, mas os que foram, fizeram por merecer estar aqui, a eles devo a minha eterna gratidão!
E eu quero começar com uma categoria de amigos típica desse nosso mundo contemporâneo: os amigos virtuais, eles são tão importantes quanto os amigos presencias, porque eles conseguem a proeza de se fazerem presentes mesmo distantes! As madrugadas na frente do monitor, as risadas que nunca foram ouvidas, mas que serão pra sempre lembradas!
AMIGOS, quem pode viver sem eles? Quem conseguiria ser tão auto-suficiente ao ponto de poder afirmar que não precisa de amigos para ser feliz na vida?
É tão bom poder dar e receber, compartilhar nossas conquistas e tristezas com a certeza de que os amigos de verdade não se incomodarão se você ligar bêbado lá pelas 3 da manhã, pelo contrário, eles conseguem ainda em meio ao sono interrompido se preocupar com você ou no mínimo rir muito da sua situação.
E não importa se os seus amigos são emos, punks ou pervertidos sexuais, o importante mesmo é ter amigos e entender que as diferenças existem para somar em nossas vidas, que cada pessoa, por mais diferente que possa ser, pode ser amada e compreendida.
Foram tantos momentos importantes, tantos shows, filmes, tantas viagens, tantos lugares diferentes, mas os amigos ahhh estes sim continuam os mesmos.
Amizade é isso mesmo, é não ter medo de ser ridículo, é cantar de noite no meio da rua, fazer guerras de farinha, travesseiro, é viver pequenas loucuras, é rir até chorar sem nem ao menos saber o porque da crise de riso.
Com o tempo você percebe que amizade independe de idade, independe de cor, poder aquisitivo, você se da conta, que pode ter como amiga a sua professora louca de português, as senhorinhas que você visita no asilo ou mesmo a sua mãe que por mais que lhe obrigue a comer a comida até o fim, ama você e consegue ter um dialogo sincero como verdadeiros amigos.
Como não se sentir um privilegiado? Como não agradecer todos os dias pelos amigos que Deus colocou em minha vida? Eu não encontro outra palavra a dizer senão: OBRIGADO, obrigado MESMO, por me aceitarem como sou, por me agüentarem quando estou com fome e fico de mal humor, por darem risada das minhas piadas sem graça.
AMO VOCÊS! Amo e repito, porque é preciso dizer o essencial, porque é preciso valorizar aqueles que fazem à diferença em nossa vida, saibam que eu posso não ser a melhor pessoa do mundo, mas com certeza eu tenho os melhores amigos e nem o tempo ou a morte podem separar os laços que aqui fizemos.


Luan Emilio Faustino 24/10/2010 – 12:51h

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ainda


Ainda que fossem relatados todos os meus segredos
E fossem expostas todas as minhas feridas
Eu não temeria o seu julgamento

Ainda que todos os sonhos existentes em ti
Não some a metade de seus medos
Eu consigo vislumbrar para nós um final feliz

Ainda que o amanhã seja ameaça
E o passado seja dor que se disfarça
Não abriria mão do agora
Pois nele vive a minha única certeza que é você

Ainda que o mundo de sinais de contra mão
Eu aceito o desafio de correr na direção oposta
Aceito os olhares de desdém
Aceito até o risco eminente do fracasso
Se houver uma única chance de provar o meu valor

Ainda que todos pronunciem em alto em bom tom o “não”
Eu precisarei apenas de um sussurro seu que diga “sim”
Ainda que exista o tempo
Haverá o eterno
Ainda que existam os erros
Haverá a paciência
Ainda que exista inveja
Haverá o amor

Ainda que isso tudo seja sonho
Agradeço pela oportunidade de sonhar.

Luan Emilio Faustino 15:02hs - 02/08/09

domingo, 14 de novembro de 2010

Tudo o que tenho

Engraçado... Quando eu era pequeno tudo o que eu mais queria era poder fazer parte, eu queria entender o significado das coisas, das palavras, eu queria entender as conversas dos adultos, do porque eles riam de coisas que para mim não tinham a menor graça...
Então eu cresci, e nada nessa vida me foi mais doloroso quanto a transição daquilo que eu era para aquele que eu acho que sou. Demorou um certo tempo para romper a barreira da ingenuidade, as vezes tenho a impressão de nunca tê-la rompido totalmente, mas enfim...
 Com certo esforço entendi um pouco mais deste mundo que me rodeava, talvez mais do que eu gostaria de entender.
 Procurei me encaixar em algum grupo ou lugar, mas a verdade é que eu não me encaixo nesse lugar chamado mundo. Para ser franco, não tenho a menor vontade de me tornar parte dele...
 Para ajudar, eu ainda nasci incompleto, não no que se refere à parte fisiológica, felizmente ainda tenho meu par de pernas, olhos e um músculo pulsante ao qual as pessoas chamam de coração. E é justamente nele que reside a minha ausência permanente.
 Certo dia, tentei preencher o vazio do meu coração com um pouco deste mundo que não me pertence e tudo que obtive foi um vazio ainda maior. Foi então que eu me fechei para este mundo, criei um mundo só pra mim e nele eu tenho me refugiado sem muito sucesso.
  Vez ou outra alguém invade o meu mundo, com promessas bonitas e olhos que conseguem transmitir a força de um sonho, mas elas não conseguem permanecer tempo suficiente para se tornarem especiais. Elas simplesmente saem deixando um pouco mais de lembranças em minha vida.
 E eu não sei se devo me fechar nesse mundo que criei ou me abrir para o mundo que um dia me criou. Tudo o que sei é que eu gostaria de ser o mundo de alguém, mas quem em sã consciência se arriscaria a me habitar?
  Eu tenho que admitir que a convivência comigo mesmo não é nada fácil, por isso mesmo sou tão compreensivo quando as pessoas desistem dessa missão chamada “eu”. Talvez fizesse o mesmo se tivesse a opção, mas eu não posso, pois eu ainda sou tudo o que tenho.
 Eu sou a peça perdida de um quebra-cabeça, sou um verso inacabado, uma estrofe em construção, eu sou tantas coisas e ao mesmo tempo eu não sou nada. E por mais irônico que possa parecer, eu sou, ainda que eu não queira ser a soma de todas as coisas que eu não tenho. Eu sou uma contradição ambulante.

Luan Emilio Faustino 15/11/2010 – 04:05h