sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Frases Soltas

"É uma pena que a maioria das pessoas só pensem sobre suas vidas no final do ano, ja pensou se elas fizessem isso em Maio? Meio ano seria salvo!"  Luan Emilio Faustino

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Medo de Amar

Ironia seria a dor,
De um poeta que não ama,
E que sofre por temer,
Justamente o que mais clama.
Mas se o tal poeta existe,
E em mim ele reside,
Juntamente com o medo.
Que me faz sorrir mais triste.
Me pergunto aonde mora,
A coragem que se isola,
Da vontade reprimida,
Que amor nenhum consola.
Dos amores que não tive,
Das lágrimas que não chorei,
Me perdi nos devaneios,
Das respostas que não sei.
E na solidão amiga,
Que hoje me faz companhia,
Encontrei o medo tórrido,
Que gelou minhas fantasias.
Peço ao tempo que não pare,
Peço amores pacientes,
Que me entendam mais que eu,
Que se façam em mim presentes.

Luan Emilio Faustino 27/03/07 20:30

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Renuncia


Eu me recuso a aceitar a ideia recorrente do “começo, meio e fim”. Trata-se de uma negação a ordem previsível das coisas. Prefiro acreditar que a vida pode sim nos surpreender e que o conceito de tempo é uma tentativa desesperada do homem tentando controlar algo que nem ele próprio consegue compreender.
Seja lá o que for o tempo e o que somos dele, há quem diga que ele seja relativo. O que de certa forma me consola, pois nunca fui muito fã dessas verdades absolutas, intransigentes, que entre outras coisas só servem para limitar o acesso que podemos ter a novas verdades.
As pessoas buscam certezas, eu as temo. Vivemos uma vida inteira nos apoiando naquilo que temos de mais concreto: as nossas verdades. E desabamos quando elas se desfazem, seja um sonho, um amor ou mesmo a imagem que temos de nós mesmos.
A dúvida sempre esteve presente em nossas vidas, ela nos perturba, tira o sono e nos mantêm acordados para o que existe de mais fantástico no mundo: o novo.
O verbo duvidar tem sido discriminado ao longo da história, como se o ato de descrer fosse um retrocesso a tudo aquilo que um dia construímos ou construíram. As pessoas não se importam em viver em um mundo de ilusões, desde que neste mundo elas encontrem as suas verdades.
Dizem que a vida é feita de escolhas e que pra cada escolha existe uma renuncia. Sendo assim, podemos afirmar também que a vida é feita de renuncias, é apenas uma questão de ponto de vista.
Falam tanto sobre a importância de nossas escolhas e tão pouco do que não deveríamos renunciar. E o resultado dessa cultura focada no que se pode ser, são pessoas renunciando aquilo que realmente são.
Talvez isso ocorra porque nem mesmo elas saibam, culpa do tempo, criação do homem que não permite que as pessoas pensem sobre si mesmas.
Eu renuncio ao tempo, numa tentativa desesperada de me reencontrar. É insano, eu sei... Mas quem pode me culpar por querer matar aquele que cedo ou tarde também irá me matar?
Ainda que esta seja uma guerra perdida, a luta valerá a pena. Pois mesmo não conhecendo o teor de minhas verdades, estarei sempre disposto a morrer por elas.

Luan Emilio Faustino 12/07/2010 – 12:33h

Frases Soltas

"Eu sou um pouco mais do que essas imagens que a câmera captura, o meu verdadeiro eu é intocável, inconstante e indomável." Luan Emilio Faustino

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Amanhã

O que o amanhã nos reserva
É uma surpresa concreta
Como um poema cifrado
Do qual o autor não revela

O amanhã não espera
Os convidados da festa
Ele não muda seus planos
Nem se baseia nas regras

Ele se faz de distante
Quando de verás nos testa
E se desfaz no instante
Que já não temos reservas

O amanhã nunca tarda
Não distância nem falha
Não justifica seus furtos
Nem se opõem a batalha

Ele parece um devasso
Que muda todo o compasso
Fazendo tolos os sábios
Que abrem mão do passado

O amanhã nos aguarda
Com suas vendas armadas
Com seu mistério intácto
Que faz do hoje morada.

Luan Emilio Faustino

domingo, 26 de dezembro de 2010

Você se lembra?


Você se lembra de como costumava ser?
De quando as guerras eram de travesseiros,
E dias de chuva não eram dias perdidos, eram apenas dias molhados.
Você deve se lembrar que houve um tempo em que às segundas-feiras não eram tão mal vistas.
Que problema era tudo aquilo que seus pais poderiam resolver ou descobrir.
E certamente se lembra de perguntar quando ninguém estava por perto:
“Porque as pessoas não podem simplesmente amar uma as outras?”
Desaprendemos a rir de nós mesmos ao passo que aprendermos a rir dos outros com uma facilidade...
Você se lembra de quantas estrelas você já foi capaz de contar?
Da sensação desconfortável de já ter contado a mesma estrela mais de uma vez
E da convicção inabalável de ter conseguido contar todas?
Você se lembra de quando salvar o mundo era possível?
E você aguardava ansioso apenas crescer para poder por todos os seus planos em prática?
Às vezes fica difícil saber o que acontece entre os anos e você,
Pois quando os espelhos de hoje não refletem os sonhos de ontem,
A memória é aquela que transforma os mais belos castelos em prisão.
Você acha que lembra quando na verdade você nunca esquece,
E um dia quando todas as suas perguntas finalmente são respondidas,
Você cresce com o mundo e as lembranças crescem em você.

Luan Emilio Faustino 21/01/10 – 12:34hs

sábado, 25 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hoje

  Eu hoje acordei sem tempo para me olhar no espelho e descobrir quem eu era, estava com pressa e nem sabia ao certo o porquê, não havia um destino a ser alcançado e nem relógios que denunciassem um possível atraso. Havia apenas uma vontade enorme de gostar mais de mim, de cuidar mais de mim, de ser aquele que eu esperava que os outros fossem para mim.
  Eu hoje inclusive decidi não mais esperar, eu sei que soa impaciente da minha parte, mas sinceramente prefiro ir de encontro ao nada a ter que esperar por essas coisas que nunca vem. E eu decidi tanta coisa hoje, desse tipo de coisa que a gente decide e depois esquece, sabe? Mas dessa vez eu gostaria de não me esquecer, eu gostaria de me lembrar para que eu pudesse dar continuidade nessa tentativa de ser feliz.
   Eu hoje revi várias fotos para tentar identificar aonde foi exatamente que eu me perdi, eu queria um sinal, alguma mudança em minha expressão, respostas...
   Foi então que eu percebi que estava procurando no lugar errado, eu não poderia me encontrar em nenhum lugar do passado, pois ainda que hipoteticamente eu me encontrasse, aquele não seria eu.
   Eu hoje evitei pensar no futuro, talvez eu pague um preço alto por isso, mas acontece que eu estou cansado de criar planos que nunca se concretizam, foram tantas frustrações consecutivas, tantas promessas que foram ditas da boca pra fora, que até mesmo a minha determinação taurina ficou ligeiramente abalada.
   De qualquer forma, eu ainda não desisti de viver o meu hoje, preciso vivê-lo em plenitude para que ele não se torne mais um Ontem que eu tento em vão esquecer. Eu preciso me arriscar mais, errar mais e entender de uma vez por todas que algumas coisas a gente só aprende na prática.
   Eu hoje não dormirei mais agarrado ao celular verificando a cada 5 em 5 minutos se alguém me ligou ou mandou mensagem. Eu farei as minhas ligações, sairei de casa ao encontro do acaso e deixarei o vento despentear o meu cabelo da forma que ele achar melhor.
   Eu hoje serei diferente de tudo aquilo que um dia eu fui, e eu já fui tanta coisa...  Eu quebrarei minhas próprias regras, transgredirei meus pensamentos, me sentirei diferente, e isso fará do meu hoje ser único.
   Seguirei o que achar que devo sem precisar prestar satisfações a minha consciência, com a possibilidade de mudar de caminho quando bem entender, sem que eu tenha que explicar a todos os meus movimentos ou as minhas vontades.
 O meu hoje será diferente do meu ontem, e eu poderei até me arrepender dele no futuro, mas por hora ele será intenso como tem que ser. Imperfeito como tudo o que toco. Ele será assim como quer que seja... Um hoje que eu possa chamar de meu, meu e de mais ninguém.

Luan Emilio Faustino 21/12/2010 – 18:20h

domingo, 19 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010

         Mas que ano foi esse hein?! Teve de tudo! Desde o começo da saga do palhaço que virou político até o começo do fim da saga do menino bruxo que conquistou os cinemas. Nas rádios e nas boates um nome predominou: Lady Gaga. Tivemos também alguns contratempos coloridos, que devem desaparecer aos poucos assim como os arco-íris.   
         No esporte a tragédia anunciada: a seleção brasileira não chegou nem na final da Copa do Mundo, mas o nadador Cezar Cielo Filho salvou a honra do país com suas medalhas internacionais.
         O mundo, em especial os EUA sofreram com a crise econômica, enquanto o Brasil estava despreocupado e feliz da vida prestigiando a Unidos da Tijuca comemorar a vitória no Carnaval do Rio.
         O Rio de Janeiro inclusive nunca esteve tão em foco, agora ele deixou de ser assistido apenas por nós brasileiros que estávamos acostumados em vê-lo pelas novelas das 8, para ver juntamente com o mundo a invasão do Complexo do Alemão em flash espalhados por toda programação para não perder nenhum detalhe da atuação do BOPE.
          BOPE este que "roubou" a cena nos cinemas, enquanto Nova York se gaba de ter um herói como o Homem Aranha, e Gothan City agradece por poder contar com o Batman, os cariocas e porque não dizer o Brasil, elegeram o seu primeiro grande herói: O Capitão Nascimento.
         Na internet alguns nomes se destacaram, tais como: Felipe Neto e PC Siqueira, mas nada, NADA foi mais gratificante do que ver nos TT’s do Twitter a frase: “CALA BOCA GALVÃO”, creio que toda pessoa de bem se sentiu devidamente vingada por ter ouvido por anos e anos tanta abobrinha.
         Nesse ano a Madonna que sempre esteve engajada com religiões alternativas, surpreendeu a todos com o rompimento com Jesus, que Deus a tenha...
           As mulheres tiveram seu momento de glória, enquanto todos estavam fascinados com aquelas criaturas azuis do filme AVATAR, a ex mulher do diretor James Cameron, abocanhou a estatueta do OSCAR com um filme 100 vezes mais barato. E como não falar da Dilma? Simples, não falando. (Próximo tópico, porque né...)
            Tivemos grandes perdas esse ano, tais como a morte do escritor genial José Saramago. Mas sem dúvida a maior perda da literatura ficou por conta do lançamento dos livros de Geisy Arruda e Justin Bieber. Em pensar que os Maias falaram que o mundo iria acabar em 2012... oO’
           Mas nem só de perdas 2010 será lembrado (ao menos para nós réles mortais, porque pro Silvio Santos...). PAN PANA AMERICANO!! Putz putz... putz... (8)
          Na TV a série GLEE conquistou fãs no mundo inteiro e fez pessoas que não gostavam de musicais se interessarem pelo gênero (como eu por exemplo) e a série LOST finalmente terminou honrando o nome e deixando muitos de seus fãs perdidos e sem inúmeras respostas.
          No reality show BBB10 o Brasil resolveu contemplar com 1 milhão e meio de reais um homofóbico que atende pelo nome de Marcelo Dourado e os apresentadores Gugu Liberato e Hebe Camargo, abandoram a TV mais feliz do Brasil.
          Algumas coisas ainda continuam as mesmas, como a inércia do povo brasileiro frente aos políticos corruptos que reajustaram seu salario para aproximadamente 27 mil e os padres pedófilos que ja deixaram de ser uma novidade. Mas a igreja católica resolveu apertar o F5 no moralismo e depois que  5678632092 de seus fiéis pegaram AIDS e outras DST’s, eles decidiram apoiar o uso da camisinha. (Já não era sem tempo, né?)
          Do mais, 2010 foi um ano quente e a tendência é piorar já que o tratado de Copenhague que visava à diminuição da emissão do gás carbono ainda não foi assinado pelos principais emissores do poluente: China e EUA.
           Pra mim, 2010 foi um ano bastante intenso e produtivo: entrei no estagio da USP, fui no show do Linkin Park, criei minha conta no twitter, comecei a escrever este blog, tive dois celulares roubados e fui vitima de um boa noite Cinderela.
          Não foi nesse ano que eu encontrei o grande amor da minha vida ou tive o meu livro publicado, mas que venha 2011, 2012 e se os Maias permitirem, que venha 2013 e os próximos anos, porque melhor do que relembrar é viver!

Texto dedicado ao meu cachorro q faleceu em 2010, sim Booby, eu me lembrei de você! ^^

Luan Emilio Faustino 20/12/2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

CONCURSO 7 PECADOS


Estão abertas as inscrições para o concurso 7 pecados!

Qual é a proposta do concurso?

Divulgar o trabalho de novos escritores, blogs e afins

Como participar?

Basta você escrever um texto, conto ou poema abordando 1 um dos pecados capitais, os melhores trabalhos de cada pecado serão postados no blog. No total serão 7 poemas divulgados, contemplando assim 7 autores que terão blog, tumblr, twitter e todas as redes sociais divulgadas para que mais pessoas possam conhecer seus trabalhos.

Posso escrever sobre mais de um pecado?

Pode, desde que não aborde mais de um pecado no mesmo texto, conto ou poema.

Pra onde eu mando os textos, poemas ou contos?

No email: luanemiliousp@gmail.com

Junto ao texto mande seus dados básicos com: nome, idade, cidade onde mora e os sites que você escreve e gostaria de divulgar.

Importante: Coloque no assunto do e-mail o nome do pecado que você irá abordar


As inscrições vão até o dia 15 de janeiro e os trabalhos escolhidos serão postados a partir do dia 21 de janeiro de 2011.

Boa sorte a todos!!!


Vale lembrar:

     1) Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora;
2) Avareza: é a cobiça de bens materiais e
dinheiro;
3) Inveja: desejar atributos, status, posse e
habilidades de outra pessoa;
4) Ira: é a junção dos
sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável;
5) Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-suficiente;
6) Luxúria: apego aos prazeres carnais;
7) Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico.

Ontem


Pretérito que te quero bem
Porque me tiras do aqui e agora?
Porque me prendes nessas tais memórias
Que só me mostram o que eu quero esquecer?

Passado que nunca passou
Aqui estou te encarando novamente
Deixando assim de viver o meu presente
Pra reviver o que em mim nunca findou

Eu bem tentei superar este outrora
E apagar as lembranças que vigoram
Mas reparei que a esperança que há em mim
É a ilusão de um ontem que se renova

E se eu me perco nessa linha cronológica
Se o meu hoje não faz parte do agora
O amanhã pode estar comprometido
Por um descuido, uma ausência, uma hora.

Luan Emilio Faustino 18/12/2010 11:01

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Desejo


Eu não vivi o suficiente para saber ao certo o que desejar as pessoas que amo, poderia analisar o perfil de cada uma e desejar a cada qual algo que lhe seja mais apropriado, ou simplesmente me privar do trabalho e desejar algo em comum a todos sem a menor distinção. Afinal todo mundo merece paz, amor e felicidade.
Mas eu não posso desejar a paz, enquanto lá fora existe um mundo que grita por socorro, as pessoas têm o costume de confundir o medo de lutar por seus ideais com a paz que nunca vem, pois os que deveriam lutar por ela se ocupam em desejar aos outros tudo aquilo que não podem oferecer.
Tão pouco posso desejar o amor, não que ele seja algo repreensivo ou dispensável, o mundo carece de amor, mas o amor às vezes cega, machuca e se parte, e o que fica quando ele se vai é algo que os poetas ainda não conseguiram dar nome. Não... Eu não posso correr o risco de errar no meu desejo.
A felicidade parece o desejo mais inquestionável, mas alguém já disse em algum momento que só os ignorantes são felizes, e o que fazer? Desejar sabedoria e fadar a pessoa a uma vida triste? Prefiro deixar a critério de cada um a escolha de tomar a pílula vermelha da verdade ou a azul da ilusão.
E o que desejar? O espírito capitalista me diz que o ideal seria uma das máximas: “sucesso, dinheiro ou poder”. Mas o meu eu lírico poeta desejaria: sonhos e amores possíveis.
Seria mais fácil se ao invés de desejo eu optasse por presentes, poderia dar aquele prático vale compras e a pessoa compraria aquilo que ela quisesse. Mas com desejos as coisas não funcionam assim, ao menos aqueles que desejamos realmente que aconteçam, até porque é altamente dispensável os que são feitos da boca pra fora, e são tantos... Eu já vi tanta gente falsa desejar sucesso aos outros e depois se incomodarem com o progresso alheio...
Por fim, desejo que independente daquilo que você acredita, que você nunca duvide de seus desejos. Acredite, faça por onde, não desista.
Desejo que a cada dia você encontre um motivo diferente para sorrir, e quando a alegria não vier que nasça em ti um desejo ainda maior pedindo forças para que você lute pelo seu sorriso de cada dia.
Por fim desejo, a paz, o amor e a felicidade, sim... Pois se você souber receber cada um desses desejos fará deles o desejo de alguém realizado: o meu desejo.

Luan Emilio Faustino

Obrigado a todos que de alguma forma estiveram presentes em minha vida, que 2011 seja um ano cheio de inspirações para todos nós! o/

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Frases Soltas

"E eu descobri que o meu medo de dizer "Te amo", só não era maior do que o medo de te dizer "Adeus"."  Luan Emilio Faustino

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Procura-se um coração por Thiago



Começou a temporada do: Faça você também! Você que gostou de algum, poema, conto, texto e quer participar do blog, agora você pode! Faça seu vídeo com a adaptação de algum trabalho ja postado aqui no blog e mande, os melhores vídeos serão postados no blog.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Felicidade Singular


Este não será um texto onde disponibilizarei uma receita da felicidade, nunca fui muito adepto de textos de auto-ajuda, não vou mentir, eu já li vários deles, mas é tão triste pensar que a nossa felicidade esta condicionada ao que pessoas que nem nos conhecem ditam como verdades.
 Existem muitas frases prontas que definem o que vem a ser “felicidade”, mas até hoje não encontrei uma em que eu pudesse ler e falar “Nossa!!! É isso mesmo!!”, sei lá... Acho que cada um sente e vê a felicidade de uma forma diferente e tentar defini-la é pura pretensão e perca de tempo...
 Eu não sei como funciona com as demais pessoas, mas algumas palavras quando pronunciadas formam uma imagem na minha mente, nem sempre tem uma ligação lógica, por exemplo: quando ouço a palavra “fome” me lembro da África, a palavra “amor” me lembra minha mãe, “sangue” me lembra Quentin Tarantino, e por ai vai...  Agora quando me falam a palavra “felicidade” tudo que vejo em minha mente são crianças, eles riem de tudo o tempo, você já reparou nisso?
 Engraçado... Eu não conheço nenhuma criança de 5 anos que namore e tenha um relacionamento invejável. No entanto, as pessoas quando crescem martelam a ideia de que não existe felicidade plena quando se esta sozinho.  
 Porque elas insistem em pensar que a felicidade vem somente aos pares? É claro que se houver a possibilidade do compartilhamento, o fato tornar-se ainda mais interessante, pois a alegria do nosso semelhante também passa a ser a nossa, mas talvez o maior equivoco de todos seja o fato de as pessoas confundirem serem “felizes” com estarem “completas”. As duas coisas não são bem distintas, eu sei disso porque ontem mesmo eu ri bem alto, mas ainda sim faltava algo...
 Confesso que tudo o que eu queria nesse momento era poder acreditar em uma felicidade singular. Sim, eu disse “queria”, pois eu não acredito de fato que ela exista, na verdade eu queria acreditar, mas não consigo ou mesmo acredite desacreditando, não sei...
 Estava aqui tentando convencer vocês e sobre tudo a mim de que é possível ser feliz sozinho, mas se vocês querem saber a verdade, eu ainda compartilho dos pesadelos de uma pessoa solitária: Almoçar sozinho, ir ao cinema sozinho, viajar sozinho: estes são alguns dos nossos pesadelos diários que eu tento superar da melhor forma possível: sozinho.
  E não é fácil assumir as nossas pendências acumulativas, porém se deixar completar por outra pessoa é algo ainda mais arriscado, porque quando elas partem levam um pedaço tão grande da gente que chega a ser inevitável não sentir dentro de nós um vazio ainda maior.
  E nesses momentos sempre surge um amigo solidário para lhe dizer: “Você não está sozinho, eu estou aqui contigo”, mas a gente sabe ainda que não consiga explicar como, que existem vazios e vazios... Tentar completar o vazio de um grande amor com uma grande amizade pode até funcionar por um tempo, mas cedo ou tarde você percebe que o vazio continua lá e que a amizade por melhor e mais bem intencionada que seja não passou de uma mera distração.
 Eu poderia muito bem culpar a Disney por criar aqueles filmes que doltrinam crianças a acreditarem no “felizes para sempre”, em pessoas perfeitas e amores impossíveis, mas o fato é que as pessoas querem acreditar nisso, elas preferem crer que a felicidade irá chegar em cima de uma cavalo branco do que aceitar que a felicidade depende unica e exclusivamente de cada uma delas.
 Trata-se de negar a responsabilidade, comodismo, preguiça emocional. Sejamos felizes primeiro para depois buscarmos sermos completos, porque de uma forma ou de outra, essa felicidade que você adia, essa felicidade que você coloca na reserva, irá lhe fazer falta na hora de completar a pessoa que poderá te fazer sentir-se pleno.

 Você não precisa amar para sorrir, você precisa sorrir para poder amar.

Luan Emilio Faustino 12/12/2010 – oo:37hs

Espelho


Antes, eramos parte de uma mesma imagem indefinida
Sem foco, sem vida própria que o diga.
Refletíamos a verdade em uníssono
E hoje sinto o ecoar do que nós fomos
Eramos fortes frente ao mundo
Fortes frente a todos
Mas frágeis entre nós...
Eramos a imagem de um sonho projetado
Do sorriso mais safado
Que só os amantes sabem dar.

Eramos sim...
E já não importa mais o que somos
Pois somos a sombra desse passado
Que se faz presente em nossas mentes
Somos o resultado
Da convivência desmedida
Do amor sincero que vicia


Entre imagens, reflexos e visões.
Das miragens, vertigens e ilusões.
Dou-me conta que hoje nada do que vejo
É apoiado nos pilares da razão


Sou o coração pulsante dos primeiros encontros
O olhar pedante por atenção
O arrependimento encarnado
A dor dissimulada que se faz feliz
Do indivisível fizeram-se caminhos distintos
Do amor a poeira que enche os cômodos
A poeira que respiro.


Mesmo quando a ti evito
É você!
E só você que vejo em cada olhar...
Feito espelho estilhaçado,
Como nos quadros cubistas
Vejo desfigurada a imagem do fim
E já não paro para contemplar a arte da solidão
Pois mesmo que nossas imagens se apaguem no tempo
Existe em mim a essência atemporal que me mantém são.
Eu e os meus sentimentos
Fixos no reflexo do que fomos.


Luan Emilio Faustino

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Das cartas que nunca mandei – Parte VII


Destinatário: Papai Noel


Querido Papai Noel, eu tenho tentado ser um bom menino, mas não é nada fácil ser bom quando se é grande, porque eu não sei o que acontece entre a infância e a idade adulta, que a bondade deixa de ser bem vista. De repente, ser bom é motivo de riso, estar fora de moda ou estar despreparado frente a um mundo que não perdoa a ausência de malícia.
Não me parece muito justo ser bom o ano inteiro e receber a recompensa apenas em um único dia, do mesmo jeito que também não me parece certo fazer o bem com segundas intenções, mas a gente cresce assim, somos criados ouvindo frases do gênero: “se você não se comportar o Papai Noel não vai lhe dar presentes”. Você compactua com essas chantagens emocionais?
Você deve ser um homem realmente ocupado, também não é para menos, tantas cartas para ler, presentes para confeccionar, gnomos para gerenciar, aliás... são gnomos ou duendes? Eu sempre confundo.
Devo lhe confessar que a principio pensei em lhe indagar sobre a sua existência, os seus reais motivos. Afinal qual é a tua meu bom velhinho? Qual foi o pecado que tu cometeste para decidir fazer o bem assim, pela eternidade a fora? Mas e se você for real? Se as minhas perguntas lhe ofenderem? Se eu estiver sendo injusto?
Se bem que você não iria poder reclamar muito de injustiças, afinal nós dois sabemos que o seu serviço anda meio negligente nos últimos tempos, noto crianças realmente boas ficarem sem um único presente na noite de Natal, enquanto outras ganham vários sem nem ao menos fazer algum tipo de esforço para merecer. Chega a ser cruel, sabe?
Não quero que você pense que não gosto do Natal, na verdade eu gosto, só que me da um certo mal estar saber que toda aquela cumplicidade terá fim no dia seguinte. É como se todos estivessem encenando a maior peça de teatro simultânea do mundo, só que eu nunca fui um bom ator, se é que me entende...
Uma coisa que realmente me intriga é a forma como você demonstra estar visivelmente parado no tempo. Sim... a mesma roupa, os mesmos sinos, a mesma forma de estabelecer contato. Poxa, você poderia ao menos criar uma conta no Orkut ou mesmo seguir as pessoas no Twitter, imagino que isso iria lhe ser útil na hora de definir se alguém foi bom ou mau menino durante o ano.
Mas eu entendo que depois de uma certa idade fique mais difícil se adaptar as novas tecnologias e olha que você foi o cara que fez o primeiro carro voador carregado por renas, hein?!
De qualquer forma, não quero lhe tomar mais tempo do que já tomei, mas quero lhe propor algo diferente dessa vez. Cansado de escrever e não ser correspondido, cansado de mandar cartas e nunca ter um retorno, este ano o que eu quero de verdade é uma carta sua, com foto autografada, postal do pólo norte e o mais importante: o seu pedido.
Pois se você se comportar, se você não deixar mais nenhuma criança sem presente ou comida na noite do natal, eu prometo que realizarei o seu pedido. Palavra de poeta! Feliz Natal Papai Noel! Eu continuo sendo um bom menino.


Luan Emilio Faustino 09/12/2010 - 01:08h

Ainda - por @DizLima



Começou a temporada do: Faça você também! Você que gostou de algum, poema, conto, texto e quer participar do blog, agora você pode! Faça seu vídeo com a adaptação de algum trabalho ja postado aqui no blog e mande, os melhores vídeos serão postados no blog. Quero agradecer ao @DizLima pela inesperada e emocionante homenagem, obrigado!!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Foi?

Foi brincando de ser sério,
Que risadas esbossei,
Que sorrisos vi nascer,
Mas eu não me alegrei.

Foi querendo as verdades,
Que mentiras inventei,
Outras tantas eu ouvi,
Mas eu nunca me enganei.

Foi buscando o que nem sei,
Que perdido me encontrei,
Hoje eu sei aonde estou,
Mas não sei onde pisei.

Foi de dia? foi de noite?
Já faz tempo, eu não sei...
Na verdade nunca soube,
Pos meus olhos eu tapei.

Foi do jeito que eu queria?
Foi do jeito que eu sonhei?
Foi sincero aquele gesto,
Que no ato eu duvidei?

Foi lembrando o que eu era,
Que então triste eu fiquei,
Foi pra sempre e nunca mais?
Eu não sei, eu não sei....

Luan Emilio Faustino, maio de 2006

sábado, 4 de dezembro de 2010

Frases Soltas

"Meu coração é uma porta giratória que vez ou outra trava me deixando preso, eu fico ali, tentando me livrar dos sentimentos que me impedem de seguir em frente.” Luan Emilio Faustino

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Procura-se um coração

A pior parte quando se inicia uma busca é reconhecer que algo esta perdido, parece obvio eu sei, mas levou um tempo para aceitar que algo estava faltando...
 Organização nunca foi meu forte, perdi muitos molhos de chaves, esqueço com facilidade coisas básicas como o nome das pessoas e datas que deveriam ser lembradas, até mesmo o nome daquela oração que pede complemento eu esqueci, justo eu, que sempre fui apaixonado por gramática.
 Ah sim! O Google me lembrou e agora eu posso concluir a minha fatídica comparação: sim, eu me sinto como uma oração subordinada, dessas que carece de um complemento para obter um significado maior. Sozinho, da forma que estou não represento nada além de uma sombra em meio ao sol.
 Existem tantos mecanismos de busca, mapas capazes de localizar qualquer lugar do planeta com exatidão, mas o que me dói é não ter as coordenadas que poderiam me levar aos lugares que visito somente em sonhos.
 Chega um ponto em que me questiono se realmente perdi algo ou se este algo nunca existiu em mim, o não sentir por às vezes pode ser pior que o sentir e não ser correspondido, porque você começa a achar que o problema pode estar em você. E talvez esteja...
  Eu pediria desculpas a todos os corações que parti pelo simples fato de ter partido, mas se eu sigo em frente é porque ainda não encontrei um lugar que eu pudesse chamar de meu.
 Algumas pessoas são tão acomodadas, que mesmo sabendo que não encontraram aquilo que elas procuravam, se contentam em ser aquilo que os outros procuram, eu não consigo ser assim...
 Uma coisa é certa: falta algo em mim, falta alguém que eu possa conversar por horas e horas com apenas um único olhar. Falta tanta coisa aqui dentro, que às vezes tenho medo de estar vazio, oco ou qualquer outra coisa sem conteúdo ou importância.
 Sinto a necessidade de justificar o ar que respiro, de ter alguém por quem respirar, ser o ar de alguém. Ah... Eu preciso de tanta coisa, mas o que eu tenho em troca para oferecer, se nem um coração eu tenho?
  Procura-se um coração partido, sem rumo, sem dono ou abrigo. Caso você o encontre, eu peço: entre contato, não se intimide com a carapaça assustadora, pois além dos medos que me separam dos sonhos que ja não ouso sonhar, existe uma promessa de recompensa para os que ousarem se perder nessa entrega.

Luan Emilio Faustino 03/12/2010 – 22:20h

Dedicado ao meu amigo Wesley Avante

A velha história do Ano Novo


O fim de ano chegou com suas luzes piscantes
Chegou pra mim, pra você.
Chegou nem tarde, nem antes.
Chegou igual para todos? Não seja tolo meu caro...
Pois não são todos os que têm o seu sorriso comprado
Pois um sorriso sincero não há de ser tabelado
Em nenhum dia do ano que tenha sido ditado.

O fim do ano chegou e o natal se aproxima
E as pessoas se olham com olhos de quem não via
E as pessoas perdoam como lhe ensina a cartilha
E fazem gestos de amor que enobrecem o dia.

O fim do ano tem fim! E um novo ano começa
E o velho eu esquecido aos velhos modos regressa
E a velha vida de antes, agora vive a espera.
De uma mudança maior dos que só mudam na véspera.

Luan Emilio Faustino
27 de novembro de 2006

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu te amo meu amigo!


O que une duas pessoas?
São as afinidades, os gostos em comum, suas musicas e bandas preferidas ?
Sinceramente? Acredito que não, acredito que o que une mesmo as pessoas são as suas diferenças.
 É claro que saber que você gosta das mesmas músicas que eu, que não gosta de futebol e que ama chocolate foi importante. A vontade de casar tendo como música de entrada November Rain, também … Sem contar com o nome da futura filha, Sophia né? Com PH, exatamente como eu sempre havia sonhado, isso sem duvidas foi importante, mas além de todas as nossas semelhanças, também existem TANTAS diferenças entre nós.
Às vezes elas nem são tão perceptíveis, afinal, as afinidades são muito maiores, e mais fáceis de identificar…
 Mais ainda assim as diferenças existem e é tão estranho notar como elas ficam mais toleráveis em você, chega a ser irritante o fato de eu não conseguir me irritar contigo da maneira que você sabe que as vezes faz por merecer.
Eu não sei ao certo onde foi que eu me apaixonei por você, às vezes penso que da mesma forma que a nossa história nunca começou ela também nunca irá acabar. E embora tudo o que eu mais queira seja poder gritar o que sinto, eu prefiro me manter calado para não perder o privilégio de poder estar contigo.
Sabe quando você começa uma carta, mas não sabe exatamente o que você quer escrever? Pois bem, quando escrevo pensando em você, isso nunca me aconteceu...  Pois eu sei exatamente o que eu gostaria de lhe escrever, apenas me falta à coragem para assumir o risco. Mas ao invés de não escrever nada, eu escrevo qualquer outra coisa para me fazer presente, ainda que não seja da forma que eu sonhei.
 E é tão bom quando você me diz “Eu te amo”, mesmo acrescentando logo em seguida a palavra “amigo”. Por que de alguma forma eu tento me consolar nessas variações do amor, projetando em minha mente possíveis evoluções e desdobramentos desse sentimento.
 Às vezes me pergunto coisas tolas que tomam ar de importância sem nem ao menos existir. E são nessas inexistências que eu me encontro: perdido, como os pensamentos vagaluminosos que acendem e apagam dentro de mim.
 E ainda que não seja exatamente aquilo que eu gostaria de lhe dizer, eu aprendi a lhe dizer sem precisar mentir a frase que me mata cada dia um pouquinho mais: Eu te amo meu amigo.

Luan Emilio Faustino 01/12/2010 01:52h

Texto dedicado para Jessica Fernanda <3

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aos seus Olhos



Acorde para os medos que não adormecem em ti
Pois quando o sol desfigurar a escuridão,
A escuridão que há em ti irá queimar
Da forma que só você pode sentir.
Abra os olhos,
Tire as vendas que você mesmo colocou,
E entenda que não querer ver o problema
É se negar a encontrar uma solução.
Você pode até se esquecer de quem você é
E ainda sim o medo irá te lembrar
De tudo aquilo que você nunca vai ser.
E você poderia gritar,
Se isso não demonstrasse a sua fraqueza.
Você poderia fugir mais uma vez,
Se soubesse ao certo do que esta fugindo.
E aquela antiga imagem imponente ostentada
Cai aos olhos daquele que você mais deveria amar.
Ela se parte assim como a coragem,
Fragmenta-se e se desfaz na vazão do tempo
Ela sucumbe ao fracasso diário
Que é visto, sentido e vivido,
Única e exclusivamente:
Aos seus olhos.

Luan Emilio Faustino 08/01/10 - 00:58h

sábado, 27 de novembro de 2010

Resultado da Enquente

Com mais da metade dos votos o poema "Bipolar" foi o escolhido para virar vídeo, em breve estarei gravando ele e postando o vídeo aqui pra vocês, votem agora na nova enquete que ficará até janeiro no ar, onde estreiará a série de poemas "7 Pecados". AGUARDEM!!

E obrigado a todos que votaram nesta enquete!!!

Seria? Será? Seremos!

   Rio de Janeiro Novembro de 2010


Seria este o fim anunciado?!
Seria apenas mais um sonho terminado?
Seria ele um garoto amedrontado?
Ou um sorriso que pra sempre foi negado?

Seria o dia que se segue fantasia?
Seria belo o nascer do novo dia?
Será que a vida simplesmente assim queria?
Ou será certo afirmar que não seria?

Será que o mundo não se cansa de chorar?
Será que sempre os inocentes vão pagar?
Será que alguém nesse Brasil pode escutar?
O grito rouco que não pode mais calar?

Será que a vida voltará a ser vivida?
Será seguro do outro lado da avenida?
Será que temos um refugio, uma saída?
Será que o amor fechará nossas feridas?

Seremos nós prisioneiros desse medo?
Seremos parte se não agir quando devemos?
Seremos vivos para ser o que queremos?
Ou já morremos sem saber pra que viemos?

Seria fácil, se não fosse tão difícil.
Será mais fácil esquecer, não dar ouvidos.
Seremos fracos e aos poucos corrompidos
Seremos todos os culpados coagidos

Luan Emilio Faustino 13 de fevereiro de 2007 (02:44hs)


Este poema foi escrito em 2007 em homenagem ao menino João Hélio que morreu após ser arrastado por um carro em fuga. Os assaltantes envolvidos no caso ja estão todos livres #Reflita

Infelizmente o poema continua atual, porque não se trata apenas da morte de um menino, se trata de um símbolo da violência que atinge a todos, inclusive os inocentes. A gente vê nos jornais a violência explodindo no Rio de Janeiro, São Paulo, mas a verdade é que somos coniventes com tudo isso que esta acontecendo. Enquanto o tráfico de drogas e de armas for mais organizado que nós, pessoas de bem, o crime, o medo e o pânico não vão acabar.
 Criar TAG's no Twiiter como
#paznoRio, pode até ser uma atitude bonita de esperança, mas não muda em nada a nossa realidade. As pessoas precisam parar de se acomodar atrás de seus computadores e entender que reclamar, comentar e assistir a desgraça alheia ou mesmo a própria desgraça não muda em nada. 
 Eu não quero propor a anarquia ou a violência generalizada, mas as coisas precisam começar a mudar, seja na hora do voto, seja no engajamento politico e na luta diária pela justiça e verdade.

O dia em que o cupido se apaixonou


 Aquela era pra ser mais uma tarde apaixonante de trabalho, distribuindo flechadas e promovendo encontros que as pessoas preferem atribuir ao acaso se esquecendo assim de minha insignificante existência.
  Eu não sei exatamente como tudo isso começou, certo dia descobri assim meio sem querer que as minhas flechadas não machucavam, pelo contrário elas provocavam uma espécie de sentimento bom, um sentimento que as pessoas vivem a procurar e morrem para não perde-lo. Até hoje não sei ao certo se o efeito desta minha flechada é libertador ou se ele aprisiona minhas vitimas, apenas sei que a ele deram o nome de: AMOR.
 Eu queria poder entender tal sentimento que a mim fora confiado, poder senti-lo apenas uma vez, mas creio que eu seja o ultimo da minha espécie, isso explica porque hoje em dia esta tão difícil encontrar o verdadeiro AMOR, oras eu ainda sou um só, e não é nada fácil ser cupido nos dias de hoje.
 As pessoas andam com tanta pressa, em passos largos e olhares fixos para frente, que fica difícil poder acertá-las com êxito; vez ou outra eu erro a pontaria e reúno casais improváveis, destes que as pessoas olham e apontam na rua quando passeiam de mãos dadas.
 No começo eu me culpava pelo erro, me martirizava, porque o AMOR uma vez instaurado dificilmente se desfaz, mas hoje, olhando esses casais improváveis eu noto o quão belo é o AMOR, que faz com que as pessoas superem as diferenças tendo como base de suas atitudes o coração e não mais as convenções.
 Assim como a maioria das entidades da fantasia eu também não envelheço, presencio o começo, meio e fim de cada flechada dada, às vezes o fim chega mais cedo do que o imaginado e as pessoas temem não mais sentirem o que um dia eu as proporcionei. Mas existem casos e casos, carrego comigo um arsenal de flechas infinitas que podem muito bem acertar uma mesma pessoa mais de uma vez. Porém retirar uma de minhas flechas não é tarefa fácil, as pessoas dizem que não sentem mais nada, que superaram, mas eu sei quando a flecha ainda esta lá.
 E é tão triste ver as pessoas mentindo pra si mesmas e querendo acreditar em suas mentiras... Depois de muito observar, cheguei à conclusão de que as minhas flechas podem não doer quando entram, mas doem inevitavelmente quando saem...
E foi naquela tarde apaixonante de trabalho que tudo mudou, como de costume procurei cautelosamente meu alvo, observei por um tempo, encontrei a vitima ideal: solitária, carente e com muito amor pra dar. Eu podia ler tudo isso em sua áurea (sim eu tenho essa estranha habilidade), mas havia algo de diferente dessa vez, algo que eu não conseguia ler, o que de certa forma tornou aquele alvo mais interessante que todos os outros.
 Eu mirei e mantive com firmeza a flecha esticada em minhas mãos para diminuir as chances de erro; com a flecha lançada eu vivi aquele momento de expectativa que aos olhos dos outros poderia passar em segundos, mas para mim foi uma pequena eternidade onde vários pensamentos tomaram conta de minha mente.
 Fiquei SURPRESO! Na verdade achei que os meus olhos estavam me enganando, não havia apenas uma flecha cravada na pobre alma, agora haviam duas, mas uma já estava lá! COMO NÃO NOTEI ISSO ANTES?!
 Desesperado, me aproximei e tentei retirar a flecha que levianamente eu atirei, eu tremia de aflição e culpa; e foi em um descuido ainda maior que o meu dedo se cortou na tentativa frustrada de retirar a mesma flecha que eu havia lançado. Naquele exato momento, eu que sempre fui invisível aos olhos de todos passei a ser visto por uma única pessoa.
 Eu tive que aceitar a perda do controle momentâneo, eu tive que aceitar os sentimentos que estavam em mim o tempo todo adormecidos. Na verdade eu não tive escolhas, quando me dei conta eu havia deixado de ver os sentimentos em terceira pessoa e passei a vivenciá-los.
 Era tudo novo e cabia tudo em um único olhar, porque da mesma forma que somente ela me via eu soube naquele momento que somente eu a veria tal como ela realmente era.
 Foi nesse dia que me apaixonei, foi nesse dia que encontrei minha cúmplice, minha aliada. E se hoje o mundo tem um pouco mais de AMOR é porque ela esta ao meu lado, me ajudando nessa tarefa apaixonante de se apaixonar todo dia pela mesma pessoa.

Luan Emilio Faustino 25/11/2010 – 2:52h

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Indiferente Evidência


É triste concluir, o que se quer negar.
Quando a dor de outrora
É o que te faz lembrar.
De tudo que te fez
Crescer,
Modificar
E se tornar aquilo que se quis evitar.

São meras conseqüências
Prováveis evidências
De atos impensados
Insanos por essência.

É triste não sentir, não ter em quem pensar.
E se ocupar com sonhos
O que não existem mais
De toda indiferença
A tua é que dói mais
Quando a ti eu vejo
Negando o meu olhar


São truques do destino
Mudanças no caminho
Espelhos que refletem
O eco do vazio


É triste não sorrir e fingir se alegrar
Quando a vida segue
E você quer ficar.
Quando tudo se cala
E você quer falar
Quando a tristeza acaba
E você quer chorar.


Luan Emilio Faustino 15/07/10 – 04:11

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Achados e Perdidos

 
Entre achados e perdidos
Nas lembranças que não tardam
Segue simples esse outono
Onde as folhas se escapam

No infinito que se acaba
Há motivos pra risadas
Uma pausa necessária
Pra seguir a velha estrada

Que se mostra imponente
Como se desafiasse
O caminho mais difícil.
Mesmo em face do desastre.

Nessas vias de mão dupla
Nas estradas que me seguem
Manterei minha conduta
A despeito dos que fervem

Entre achados e perdidos
Entre os mortos e os vivos
Sou herdeiro de um sonho
De um Eu que ainda insisto

Logo a frente uma miragem
Que distrai o sofrimento
Com promessas de um futuro
Que desfazem este silêncio

Que desfazem quase tudo!
E desfeito agora estou...
Como peças de um “lego”
Que a criança não juntou

Entre achados e perdidos
Sigo sempre a me encontrar
Nessa busca que se entende
Aos que ousam me achar.

Luan Emilio Faustino – 11/03/09 - 03:27hs

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O meu medo é você

Eu quis poder encontrar,
Além de seus olhos,
Uma nova razão para viver.
Pois quando eles se fecham,
Eu me cego.
E quando eles se abrem,
Eu me nego a ver
Que todo aquele amor
Se foi antes mesmo de eu dizer:
“ – Eu também te amo.”
Volta! Não por mim...
Mas pela pureza de seus sentimentos
Por tudo aquilo que fazia
Os meus olhos brilharem.
Eu quis poder seguir em frente,
Mas já não tinha a quem seguir.
Me leve para onde foram os seus sentimentos,
Me leve ao céu, ao inferno
Desde que lá eu possa ter a certeza
Que encontrarei você.
Eu faria tudo aquilo
Que o meu medo me impediu de fazer,
Como se o amanhã nunca fosse chegar,
Como se o tempo não existisse.
Se você estiver ao meu lado,
Então não haverá mais o que temer.
Pois hoje o meu único medo
É perder o sentido que motiva,
Este coração que você conquistou
Continuar a bater.

Luan Emilio Faustino 04/09/08 13:15hs

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre a fé que não tenho

Parece que o desafio maior da humanidade sempre esteve relacionado com a fé, ou seja, aquilo em que acreditamos espontaneamente, pelo simples fato de acreditar e não porque nos disseram que era o certo.
As pessoas acreditam no poder de mudança de Deus, mas não acreditam mais no poder de mudança das próprias pessoas, mesmo um sendo a imagem e semelhança do outro...
Sinto-me na contramão do mundo, enquanto a maioria prefere vestir à roupa do “realismo” e se privar das frustrações, se esquecendo assim que não acreditar nas pessoas e uma forma indireta de descrer de si mesmas, eu descrente de Deus acredito nas pessoas.
Todavia, a fé não é algo que se transfere como o conhecimento, ela não se planta como a soja e tão pouco se ganha como herança, e você pode reparar: o mundo divide-se praticamente entre as pessoas que impõem a sua fé e as desprovidas de fé que se subdividem entre as apontadas e as que fingem ter uma fé.
Qual é o crime maior: punir alguém pelo o que não acredita ou ser punido pelo o que acreditam os outros? Afinal como posso crer em algo que descrê de mim, que descrê da forma que reconheço o amor?
O mundo é uma contradição, um verdadeiro paradoxo, matam em nome do Deus da vida, guerras são criadas para alcançar a paz, e você quer acreditar que o bem existe, mas não consegue reconhecê-lo nem em seus próprios atos.
A gente cresce acreditando que tudo é uma mentira, que a cegonha fora criada pelos conservadores, que o Papel Noel só existe no mundo capitalista e que a mesma igreja católica que elegeu a avareza como um dos 7 pecados capitais, não derreteu o trono de ouro do Papa para diminuir a fome da África.

E antes que me perguntem, já me adianto: não, eu não sou ateu. Eu apenas tenho dificuldades para entender esse Deus que nos cobra pedágio para garantir o nossa entrada no céu. Mas talves isso seja apenas coisas dos homens, enfim...
E quando me perguntam: “Afinal, no que você acredita?” Eu penso um pouco para não ser negligente, refaço a pergunta para mim mesmo e respondo: "a vida é o único milagre verdadeiro em que devemos sempre acreditar."

Luan Emilio Faustino – 12/01/10 – 12:29hs

Ispirado na frase: "A vida é o único milagre verdadeiro em que devemos sempre acreditar." (Nelson Barh)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sonho



Não, eu não sou o que deveria ser
Sou apenas o que o sobrou de um sonho
Desses que você nunca ousaria sonhar...
E ainda que aos olhos dos outros eu pareça sozinho,
Nos meus sonhos você me faz companhia.
E quando acordo desses sonhos desejáveis
Eu volto a sonhar acordado
Pois tudo o que eu sei é sonhar.
E se você acha que nada sabe
Acredite em mim, pois eu sei...
Que embora hoje o medo tome conta de você
Eu serei aquele que tomará conta de você para sempre.
Mesmo que o para sempre dure apenas o tempo de uma paixão
O tempo de um segredo mal guardado
Ou até mesmo dure o tempo de um sonho interrompido.
Seremos assim, unidos sem nunca termos nos juntado
Uma especie de paradoxo inventado por alguém desesperado
Alguém que ama, sente e clama
Que um dia, ou em uma noite
O sonho passe a ser simplesmente realidade.

Luan Emilio Faustino 22/06/08 01:00 hs